quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Notas Fantasmas



 Estou me adentrando aos poucos no mundo das cervejas especiais (o quanto o bolso deixa é o principal empecilho...hehe). Deixando-me levar pelos aromas e sabores complexos das ditas cujas. Gosto de vinhos também, mas essas cervejas e seus vários tipos de maltes e lúpulos tão diferentes e combinatórios são um espetáculo ao nariz e principalmente à lingua e garganta. Meu, o que são aquelas cervejas da Brewdog! Esses escoceses são malucos revolucionários e mestres da alquimia cervejeira. A última experimentada foi uma Punk IPA. Repleta de aromas frutados (maracujá, abacaxi ou pêssego?), borbulhas certeiras na lingua e céu da boca e um amargor acachapante no final. Sensacional! mas onde quero chegar? A Alquimia que me refiro é que, diferente do vinho, onde o ingrediente solitário é a uva, em seus mais derivados tipos, nas cervejas artesanais, a combinação dos ingredientes básicos, o tratamento, a fermentação, o descanso, etc... podem alterar consideravelmente todo o corpo e sabor do liquido. Como uma cerveja pode emitir aromas e sabores de maracujá, pêssego, pão, caramelo ou chocolate sem ter sequer esses ingredientes na sua receita? É de se refletir. São ingredientes da natureza, que, combinados, lembram outras coisas da própria natureza...É ou não é um mistério? Gosto de chamá-las de notas fantasmas. Isso sem falar das harmonizações com os pratos certos. É chocante!

 Outro dia no estúdio do meu amigo, conversávamos sobre o prazer incrível que a música nos proporciona. Ouvir música é bom demais. Ao vivo, melhor. Agora, tocar é melhor ainda. Ele me disse que num ensaio certa vez, com a banda no gás, os instrumentos perfeitamente afinados, os volumes milimetricamente ajustados, durante certos momentos, "aparecia" no ar uma nota, uma ressonância que nenhum dos músicos tinha tocado. Como se as combinações das notas tocadas naquele exato momento por todos, ao se misturarem, gerava uma "nota a mais", algo gerado no ar, no encontro das frequencias dos instrumentos. Uma nota que está ali mas não está. Isso é divino. Já senti isso váriass vezes e sei bem como é. Arrepiante. Sobrenatural. É por isso que continuo buscando novos sons incansavelmente. Para vez ou outra, me deparar com uma música muito especial. Para se juntar à minha coleção de músicas inesquecíveis.

É isso que grandes bandas fazem. É isso que um mestre cervejeiro faz. Um grande pintor, ou cineasta. As grandes músicas (como as grandes cervejas) e tudo o que é bom, precisa ser experimentado várias vezes. Porque? Porque em só uma única vez não é possível perceber todas as nuances, descobrir todas as camadas que, combinadas do jeito certo deixam o resultado final irresistível. Polifonias, dissonancias. Queremos descobrir como foi feito. Seja contemplando ou dissecando.

Pode apostar que aquelas músicas que você ouve faz 20 anos e que nunca cansa de ouvir tem dessas notas misteriosas escondidas. O segredo da boa arte é o mistério! E o mistério é o que nos move. Somos seres humanos e nosso objetivo é desvendar mistérios.







2 comentários:

Camila disse...

:)

Meu Mundo....??? disse...

São esses pequenos momentos de prazer , que deixa a vida mais viva e cheia de cores!!!

Cervejas...gosto muito das escuras (capuccino) são encorpadas! Mas neste momento estou curtindo as mais leves weibbier

"Nota amarela -Winston"

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