segunda-feira, 8 de abril de 2013

From the edge of the deep green sea


Sabe quando a gente vai num parque de diversões, num brinquedo radical? Nunca lembramos muito do que acontece quando a gente está lá, de ponta cabeça, ou girando rápido, ou chacoalhando...O mesmo quando damos um mergulho em mar aberto, ou um primeiro beijo naquela garota de quem você tanto gosta e que te fez perder noites de sono imaginando como seria?...Como que numa brincadeira irônica, o que fica na memória são aquelas imagens dissipadas, meio borradas e a sensação é de sonho, às vezes Deja vu. Presenciar um show do Cure ao vivo é mais ou menos como isso. É um evento tão rico em imagens, em cores, luzes, névoas, em poesias estranhas, em memorias e sensações...e claro, também sons dissonantes, psicodélicos, distorcidos, graves, agudos e médios voando no ar e chegando em nossos incautos e pobres ouvidos e cérebro e ... coração...Todas timbragens perfeitas dos instrumentos, que são tratados com respeito e carinho. Aí, tudo muda a cada 3, 5, 6, 15 minutos, assim, de repente...Você mal saboreou o último prato, você mal assimilou o que sentiu, o que viu, e Robert Smith e Cia já lhe entregam outra enxurrada de sensações. Claro que cada um tem seus motivos íntimos em gostar de The Cure. Também cada um curtiu o show como lhe convém. E TODOS estão certos. Da minha parte, posso dizer que tomei uma SURRA. Era muita coisa para ver, ouvir, sentir, lembrar, assimilar. Era um prato novo, filme novo, um atrás do outro. Over and over and over. Saí extasiado e arrebentado. Fisicamente e emocionalmente. O Cure em disco é sublime na produção e dispensa comentários. Mas é AO VIVO que eles mostram a que vieram. Tudo é mais pesado, mais PRESENTE, mais respirável, tátil, saboroso e temperado. Tudo isso não foi da noite para o dia. São 36 anos de banda e muito trabalho. Muitas idas e vindas. Aprenderam a trabalhar os instrumentos, a usar os pedais certos no palco, a cantar melhor, equipamentos ideais...também descobriram o que vale e o que não vale a pena em fazer parte do famigerado "showbusiness" e tiveram a sabedoria e humanidade de se manterem íntegros e afastados de toda megalomania e falsidade do meio. Não são celebridades ocas, são artistas dignos da palavra. Malucos gênios que deram certo. Para felicidade da arte e seus apreciadores.

Tanta coisa acumulada só podiam resultar numa coisa: Uma banda perfeita, com um repertório perfeito, carisma perfeito e entrega total. Melhor ainda, comunhão total!

Sabe....ás vezes penso no tamanho do mundo. Imaginando ver esse pequeno globo azul do céu, da lua e imagino quantas e quantas pessoas pisaram nesse chão desde tempos remotos. Pensadores, políticos, assassinos, tiranos, reis, escritores, pintores...E quantas ofereceram à humanidade, músicas simples e poderosamente íntimas e emocionais como essas banda? E todos sabemos, tocar profundamente nossos sentimentos, sejam eles alegres ou sombrios, nos faz nos conhecer melhor. O The Cure conseguiu isso. Por eles e por nós. Afinal, somos fãs disso. Tentamos compreender isso. Nos torna mais próximos de algo divino e por consequencia, pessoas melhores. Eu acredito nisso.

Os comentários dos amigos pós show, até um dia depois, dois dias depois mostram bem isso: - "Meu, tomamos uma surra de The Cure!" - "Parece que foi um sonho" - " Parece que ainda estou sonhando" - "Melhor banda do mundo!" - "Esse show mudou minha vida!" - "Estou hipnotizado até agora!" e muitas outras...o que me faz pensar que nossos sentidos não estão tão acostumados com isso. Que precisamos conviver mais vezes com experiências como essa. Enfim, palavras não conseguem expressar com precisão. E nem precisa. Foi histórico e acachapante. Visceral e catártico! Além de uma aula de mestre para quem aspira ser um artista. Talvez seja por isso também que eles adiam sua aposentadoria. Ainda há o que se passar pra frente. E sempre haverá.

Entrego esse texto inacabado, pois eu poderia demorar 17 anos ajustando-o e nunca ficaria satisfeito. Porque isso não tem fim. NUNCA!

A Interlude, agora mais do que nunca, vai continuar sua peregrinação, sua saga em terras brasilis. Tentando, humilde e singelamente mostrar um tiquinho de nada que seja disso tudo. Um pingo nesse oceano Cureano. E principalmente fazendo do jeito que eles ensinaram: Com paixão, energia e entrega. Nos divertindo, conhecendo outros loucos como nós e tentando angariar mais alguns para nossa religião. Para quando eles voltarem um dia, tenhamos mais e mais discípulos. Vida longa ao The Cure!

...

Eu nunca estive tão
Brilhante, veja como era a minha cabeça antes
Eu nunca estive tão
Maravilhoso, você quer mais
E tudo o que eu quero é ficar assim
Eu e você sozinhos
Um beijo secreto
E não vá para casa
Não vá embora
Não deixe isto acabar
Por favor fique
Não apenas por hoje

From the edge of the deep green sea

2 comentários:

Angélica Oliveira disse...

Que lindo! Amei ler seu texto, ele reflete muito como eu me sinto também. Obrigada por postar!

Charlotte Sometimes disse...

...

Postar um comentário

fala que eu te escuto: