segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Tornar-se o que se é

Sabe, tenho matutado muito de uns tempos para cá. Porém sem qualquer orientação. Simplesmente à deriva, investigando-me internamente. Mas não tão profundamente quanto gostaria ou poderia (medo? certa vergonha? alguma culpa mal resolvida? talvez e talvez e talvez). É uma piração. E quanto mais vou descobrindo sobre eu mesmo e a "sociedade" que me cerca, a impressão e sensação de estar perdido parece aumentar. É aquela velha "Quanto mais sabemos, sabemos que nada sabemos". É tão psicológico, tão filosófico, que não dá para explicar.
E muitas verdades estão aí para quem correr atrás. Para quem quiser sair do véu da ignorância e PRINCIPALMENTE, para quem tiver disposição para tudo isso pela VIDA INTEIRA. É complexo demais e talvez a vida inteira seja suficiente apenas para descobrir a ponta do iceberg. Mas É MELHOR DO QUE NADA, NÃO?

E se existe um "PLIM" no minuto exato em que começamos a perceber isso, acredito que quase nunca percebemos. Quase ninguém percebe. Mas deve ficar uma fagulhinha lá no fundo do subconsciente. Essa fagulhinha está comigo desde a adolescência, eu acho.

Foi uma tragetória até aqui que demorou cerca de 10, 15 ou 20 anos. Isso só para chegar no porto. Agora resta embarcar no navio e descobrir os 7 mares.

E é deliciosamente curioso descobrir que a "humanidade" matuta sobre as mesmas coisas que eu. Desde sempre. E se esforça há tempos para organizar esses pensamentos/estudos/experiências de forma coerente ou até didática. Formam-se até "grupos" organizados. Alguns tantos já embarcaram nesse navio. Navio esse que acredito, viaja-se sozinho. És o capitão e passageiro e toda a tribulação.

Não obstante, sempre fui fascinado por arte e filmes esquisitos. Eu acho que tem filmes, livros e músicas "pop" que conseguem transcender e criar arte de verdade "disfarçados" de rock e pop. Que faz pessoas irem ao cinema e se entupirem de pipoca e coca-cola mas são artísticos e exuberantes e intrigantes.

Alguns filmes para fundir um pouquinho a Cuca:
  • Vanilla Sky
  • A Origem
  • Show de Trumam
  • Clube da Luta
  • Cisne Negro
  • Matrix
  • Batman - Cavaleiro das Trevas
  • Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
  • Dogville
  • Magnólia
e muitos outros que não me vêem à memória agora.

Será que eles são tão ficção assim? E as metáforas?

Samuel

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Um texto breve de Robert Anton Wilson, que é como como o clássico Nasce-Cresce-Reproduz-Morre que as professoras do primário ensinam, mas num contexto de vivência social e não num processo puramente biológico. RAW vê a sociedade como uma linha de montagem, e as diferentes instituições presentes nela (educação dos pais, escola, igrejas, trabalho) como setores que entregam indivíduos perfeitamente condicionados e robóticos, sem qualquer expectativa de livre pensamento.

Não poderia estar mais certo…

...vivemos em um mundo onde uma multiplicidade de forças muito poderosas tem atuado sobre nós. Do nascimento, passando pela escola, até o trabalho, tentam suprimir nossa individualidade, nossa criatividade e, acima de tudo, nossa curiosidade – em suma, destruir tudo que nos encoraja a pensar por nós mesmos. Nossos pais queriam que nós agíssemos como as outras crianças da vizinhança; eles enfaticamente não queriam um menino ou uma menina que parecessem “estranhos” ou “diferentes”, tampouco “condenavelmente espertos demais.”

Então entramos na escola, um destino pior que a morte e o inferno combinados. Ao aterrissarmos em uma escola, aprendemos duas lições básicas: 1) Existe uma resposta correta para qualquer questão; 2) A educação consiste em memorizar essa única resposta correta e regurgitá-la nas “provas”. As mesmas táticas continuam pelo ensino médio e, salvo em algumas ciências, até a universidade.
Através desta “educação” encontramo-nos bombardeados pela religião organizada. A maioria das religiões, no ocidente, também nos ensina a “única resposta correta”, a qual devemos aceitar com uma fé cega; pior ainda, tentam nos aterrorizar com ameaças de sermos queimados após a morte, tostando e fervendo no inferno se alguma vez ousarmos pensar por nós mesmos, de fato.

Depois de 18 a 30 anos de tudo isso, entramos no mercado de trabalho, e aprendemos a nos tornar, ou a tentar nos tornar, quase surdos, mudos e cegos. Devemos sempre dizer aos nossos “superiores” o que eles querem ouvir, o que veste seus preconceitos e/ou seus desejos fantasiosos. Se notamos algo que eles não querem saber, aprendemos a manter nossas bocas fechadas. Se não -
“Mais uma palavra, Bumstead, e você está despedido!”
Este rebanho humano começou com gênios em potencial, antes que a conspiração tácita da conformidade social enferrujasse seus cérebros. Todos eles podem se redimir dessa liberdade perdida, se trabalharem duro pra isso.
Eu trabalhei por isso por 50 ou mais anos até agora, e ainda acho partes de mim agindo como um robô ou um zumbi em algumas ocasiões. Aprender a “tornar-se o que se é” (como na frase de Nietzsche) leva o tempo de uma vida, mas ainda parece ser o melhor a se fazer.
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Isso é religião? Isso é política? é só sobre liberdade? hummm

4 comentários:

Charlotte Sometimes disse...

...

Camila disse...

"Só sei que nada sei."
Auto explicativo.
Gosto também de períodos introspectivos, já lhe disse que estudar o comportamento humano é uma das minhas fascinações, muitas vezes confundido com "julgar as pessoas". Talvez as pessoas não estejam preparadas para a antropologia pessoal e também a da sociedade.
Tudo depende de como enxergamos as coisas.
As vezes uma pessoa pode nos surpreender demais, basta deixá-la livre para isso.
Eu tenho sido surpreendida a cada dia que passa, por pessoas as quais eu nunca dei tanta liberdade e hoje faço isso só para ver no que dá.
É bom.

What Are You Going to Do with Your Life? disse...

Cah, acho que a introspecção não deve ter um período, e sim, ser permanente. Também já me interessei muito por estudar o comportamento humano...na verdade, não o estudei, só observei. Mas o wque me interessa hoje em dia e daqui para a frente é estudar o meu comportamento. Nunca mudarei a sociedade, mas posso causar a maior revolução em mim mesmo. Ninguém pode me surpreender mais do que eu mesmo.

Meu Mundo....??? disse...

Observar as pessoas é um curso individual, vc aprende vendo nos outros oque não consegue ver em vc. E quem ter coragem de se auto criticar, tentar fazer diferente, consertar seus erros, ser mais sensiveil as coisas...
Muitas vezes me vejo perdida dentro de mim mesmo.

A mente é um labirinto! "Só não se perca ao entrar no meu infinito particular♪♫♪

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