quarta-feira, 6 de abril de 2011

Futebol de rua é o mais autêntico do mundo

O Futebol, como tudo na nossa vidinha comum, como tudo que enxergamos por trás de cortinas, é muito mais do que aparece na televisão.
Jogado na rua, descalço, melhor ainda. Mais autêntico.
Joguei muita bola quando criança. Na rua, no campinho, no campão, na quadra. Descalço ou de tênis. De Ki-chute. Era raçudo. Não gostava de perder, mas tive que experimentar e aprender com a derrota, inevitável. Quantas lembranças boas. É incrível o que a gente pode guardar na memória desses dias. Fazem, sei lá, 25/30 anos , mas eu me lembro de um gol que fiz no colégio, de um chapéu seguido de uma bola no travessão, gols perdidos, daquele jogo disputadíssimo "contra" "o time da rua de cima". Da final perdida no campeonato da escola para o time dos cavalões repetentes.
Isso tudo era muito mais importante que qualquer clássico na Globo.
Futebol não era só ligar a TV e torcer para seu time, por algum favorito, nem apertar uns botões no Play Station. Era suor de verdade, superação de verdade, vitórias e derrotas de verdade. Era entrar na dividida com seus próprios pés. Era também fidelidade e companheirismo.

Lembro das vaquinhas para comprar a bola nova. Das peripécias para pegá-la quando caia no telhado do vizinho (sempre o mais chato da rua).

Jogava por horas e dias a fio. Só parava porque tinha que almoçar ou dormir. E quando as mamães imploravam para não jogar mais depois do banho tomado, lá vinha o estrelão e os botões para amenizar a abstinência.

Bons tempos. Penso nisso num misto de alegria e tristeza. E também sinto-me um pouco privilegiado. Fomos, talvez, a geração que mais aproveitou tudo isso. Soma-se aí, os pipas, bolinhas de gude, pião, mãe da rua, rouba-bandeira...tudo em sua devida época. Porque o Futebol era supremo. Nas gerações anteriores, dos nossos pais e avós, eles tinham que trabalhar ainda muito jovens para ajudar em casa, os relacionamentos eram muito mais frios e rígidos...as posteriores perderam o espaço para edifícios e casas e carros nas ruas. Minha alegria vem de ter vivido com intensidade esses momentos mágicos e me dá uma ponta de tristeza saber que meus filhos pouco ou nada experimentaram dessa liberdade. Os parques são longes, eles dependem de mim ou que alguém os leve...não é a mesma coisa. Até as cobranças sociais podam o prazer de simplesmente bater uma bola. Ninguém precisa ser craque. Só precisa gostar. Ter prazer.

Lembrei de tudo isso porque voltei a jogar. Toda Segunda-Feira. Apesar de eu estar todo quebrado até agora, foi demais! É igual andar de bicicleta. Nunca se esquece, porém o corpo não é mais o mesmo...já sou veterano, vejam só. Mas fiz dois belos gols e fiquei contente...hehehe

2 comentários:

tiemi santiago disse...

Eu gostava de jogar futebol. hehe
Obviamente, não jogava na rua, porque não tinha... Jogava na escola, com algumas meninas e às vezes alguns meninos pacientes o suficiente para jogar com a gente.
E adorava soltar pipa, também. Mas não usava cortante. Aí, os meninos educados diziam "ei, não corta aquela pipa vermelha, porque é de uma menina!" Hehe. Eu achava uma delícia ver o negócio voando tão longe...
Boa sorte na volta ao futebol.

Meu Mundo....??? disse...

Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
O jogador, gravado no ar
- afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.

Carlos Drummond de Andrade
In Poesia errante

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